Esclerose lateral amiotrófica: fisioterapia excessiva pode agravar a doença

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Por Redação Secad   | 

Degenerativa e irreversível, a esclerose lateral amiotrófica (ELA) é conhecida por comprometer a capacidade muscular e motora. Embora o portador consiga viver por muitos anos, já que a ELA não afeta funções cerebrais, ainda não é possível realizar o prognóstico da doença. Com o passar do tempo, a pessoa começa a ter fraqueza muscular, que resulta em perda de função.

Esclerose Lateral Amiotrófica

O tratamento fisioterapêutico neurofuncional integra o atendimento multidisciplinar. O objetivo, aqui, é preservar a flexibilidade articular e a amplitude dos movimentos. Na medida do possível, as atividades trabalham a força muscular para manter a função e diminuir a dor.

No entanto, exercícios de resistência são contraindicados, de acordo com a fisioterapeuta Alessandra Dorça, especialista em fisioterapia hospitalar e diretora técnica da Associação Pró-Cura da Ela.

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A justificativa é de que essas atividades provocam fadiga muscular ao exigir maior consumo de oxigênio. E uma das principais deficiências dos portadores de ELA diz respeito à insuficiência respiratória e de oxigenação. “O desafio é saber o quanto é possível treinar esse paciente. Ou seja, se ele ainda caminha, trabalhamos para ele não perder essa capacidade”, explica.

De modo geral, a abordagem inicia com avaliação da capacidade pulmonar, de peso e de hidratação. Esse conjunto de informações determina o suporte respiratório – um dos principais focos do cuidado em pacientes com ELA. “A fisioterapia neurofuncional não pode exigir que ele adquira movimentos”, explica Alessandra.

Do contrário, a abordagem equivocada leva à iatrogenia, quadro que pode colocar em risco a vida do paciente.

A fisioterapeuta atenta, também, à possibilidade de erro médico em função do desconhecimento da aplicação mais adequada de ventilação. Quando o paciente chega à emergência com dificuldade respiratória, a primeira ação consiste em colocá-lo no oxigênio. Entretanto, o gás puro pode inibur o drive respiratório, causando uma crise hipercapnia – em que a pessoa para de respirar.

“Esse momento é decisivo. Muitos pacientes com ELA foram traqueostomizados sem necessidade e hoje vivem dependentes de ventilação mecânica ou tiveram sobrevida reduzida.” Para prevenção e tratamento da capacidade respiratória, a fisioterapeuta dá preferência aos exercícios de fortalecimento pulmonar e mobilidade do tórax com uso de ambu.

Bem-estar é prioridade

Devido à perda contínua da capacidade motora, a qualidade de vida do portador de esclerose lateral amiotrófica deve ser a prioridade da assistência em saúde. Para isso, o tratamento precisa ser multidisciplinar, exigindo o acompanhamento de profissionais de diferentes áreas, como psicólogos e nutricionistas.

Enquanto o primeiro grupo atua na promoção do bem-estar emocional dos pacientes, o segundo se atém a monitoração do equilíbrio nutricional. A perda de peso é um dos fatores que mais exige atenção no tratamento de ELA, visto que tem relação direta com a diminuição do tempo de vida.

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A salivação excessiva é outro evento comum aos pacientes de esclerose lateral amiotrófica. Não raro, ela pode levar à desidratação. Daí a importância da orientação para familiares e cuidadores, o que também passa pela atuação dos profissionais. No caso da fisioterapia, a observação diária serve para acompanhar minuciosamente a evolução da perda de mobilidade – algo que se refere na condição geral do paciente.

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