Reabilitação fisioterapêutica da meningite: como reduzir o impacto das sequelas

fisioterapia

Por Redação Secad   | 

As meningites têm diversas etiologias, sendo a meningite bacteriana uma das causas mais relevantes. Isso porque ela geralmente tem maior letalidade. Além disso, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), um em cada cinco pacientes convivem com sequelas da meningite bacteriana de longa duração. Alguns exemplos são perda de audição e visão, sequelas neurológicas e deficiência cognitiva.

A reabilitação dos danos requer a intervenção de um fisioterapeuta. A abordagem do profissional pode ocorrer em diversas frentes, de acordo com a necessidade de cada indivíduo.

Transmissão e causas

A transmissão da meningite ocorre por meio das vias respiratórias. Assim, a infecção pode se dar no contato com as gotículas e secreções respiratórias do indivíduo contaminado. Dentre as meningites de origem bacteriana, causadoras de cerca de 250 mil mortes anuais mundo afora, a meningite pneumocócica possui o maior índice de letalidade.

Sequelas da meningite 

Os casos de meningite devem ser tratados com celeridade, especialmente caso possuam origem bacteriana. É possível que o paciente tenha sequelas de longa duração, tais como:

  • Perda parcial ou total da audição;
  • Dificuldade de aprendizagem;
  • Distúrbios visuais, como a perda parcial ou total da visão;
  • Atraso no desenvolvimento motor, incluindo dificuldades para deambular e para se equilibrar;
  • Distúrbio de linguagem;
  • Deficiência cognitiva;
  • Incontinência urinária.

Nesse cenário, o fisioterapeuta é um profissional importante tanto para a prevenção quanto para o tratamento das sequelas causadas pela doença, especialmente nos casos de longa duração. O acompanhamento fisioterapêutico é uma maneira de agregar qualidade de vida ao paciente.

Conheça os Programas de Atualização em Fisioterapia, desenvolvidos em parceria com as principais sociedades científicas da área.

Abordagem fisioterapêutica em casos de meningite 

O foco do tratamento fisioterápico para meningite é aprimorar as capacidades físicas do paciente e reduzir o impacto das complicações geradas pela doença. Nesse sentido, uma revisão de literatura publicada pela Revista Amazônia: Science & Health em 2019 identificou três tipos de tratamento para esses pacientes, destinados a melhorar:

  • Função física: previne diversas complicações de ordem física, como encurtamentos, fraquezas musculares e deformidades osteoarticulares. Uma das atividades propostas é a hidroterapia, uma técnica que pode promover o relaxamento muscular, reduzir espasmos e aumentar a facilidade de movimento articular.
  • Manutenção de força, resistência e amplitude de movimento: visa a normalizar o tônus muscular conforme o necessário, podendo utilizar como formas de tratamento a facilitação e inibição neuromuscular, o posicionamento e a mobilização. Além disso, é recomendado o treinamento de marcha para planejamento motor e exercícios de equilíbrio e resistência, quando possível.
  • Respiração: a aplicação de técnicas de fisioterapia respiratória pode prevenir, reverter ou minimizar disfunções ventilatórias. A modalidade se torna necessária em casos de meningite causados por tuberculose e pneumonia. Algumas técnicas que podem ser utilizadas são a hiperinsuflação manual e a aspiração traqueal e de vias superiores.

Outras técnicas que podem ser utilizadas para o tratamento e a prevenção de sequelas da meningite são:

  • Manobras de expansão pulmonar (MEP);
  • Vibrocompressão (MVC);
  • Tapotagem (TP);
  • Compressão e descompressão torácica (MCD);
  • Estímulo proprioceptivo diafragmático (EPD);
  • Bag Squeezing (MBS);
  • Aspiração de cânula orotraqueal (ASP COT);
  • Treinamento de músculos respiratórios com trigger do ventilador mecânico (TMR);
  • Cinesioterapia motora com exercícios passivos de membros superiores (MMSS) e membros inferiores (MMII);
  • Alongamentos globais;
  • Treinamento de força muscular (TFM);
  • Estimulação elétrica funcional (FES).
whatsApp_image