Como o novo receptor de células T pode revolucionar o tratamento de câncer

Medicina

Por Redação Secad   | 

Em janeiro de 2020 surgiu uma boa notícia em relação às perspectivas do tratamento de câncer. Um estudo publicado pela revista científica Nature Immunology apresentou um estudo sobre um novo receptor da célula T (ou TCR, na sigla em inglês). A eventual descoberta pode servir como tratamento de câncer universalmente.

Atualmente, ainda que os dados disponíveis sobre óbitos causados por câncer sejam muitas vezes divergentes, em qualquer cenário os indicadores são alarmantes. O Instituto Nacional de Câncer (Inca), por exemplo, estima que a doença provoque atualmente cerca de 7,6 milhões de mortes mundo afora a cada ano. A Organização Mundial da Saúde (OMS) traz um dado ainda mais impactante, estimando em 9,6 milhões.

É por isso que a pesquisa, realizada por cientistas da Universidade de Cardiff, no País de Gales, trouxe uma possibilidade tão importante para a medicina. Ela revelou a possibilidade de tratamento de diversos tipos de câncer a partir da ação de um novo receptor natural. Esse receptor seria capaz de eliminar apenas células cancerígenas, preservando as saudáveis.

Caso a terapia gênica tenha sucesso nos testes em humanos – que devem iniciar ainda este ano –, o receptor poderá ser utilizado de duas maneiras. “Pode-se isolar esta população natural ou reeducar linfócitos através da transferência do gene deste novo TCR para formar células transgênicas que adquiram a capacidade de reconhecer os tumores”, explica o biólogo Martín Bonamino, pesquisador do Inca.

Diferenças entre CAR-T e a nova possibilidade de tratamento

Uma das terapias mais populares que utiliza células T é a CAR-T. O tratamento é personalizado e vale-se do receptor artificial quimérico de antígeno (Chimeric Antigen Receptor – daí a sigla CAR, em inglês).

No processo, os linfócitos são retirados de cada paciente, multiplicados e modificados geneticamente em laboratório para a introdução do receptor. Normalmente, isso é feito baseado em um anticorpo que reconheça um antígeno de superfície na célula tumoral.

Na sequência, os linfócitos são introduzidos na corrente sanguínea do paciente com câncer, onde identificam as células com tumor a fim de eliminá-las. A ativação do antígeno provoca a sua própria proliferação e tem como consequência a produção de mediadores inflamatórios. São justamente eles que eliminam as células tumorais.

A terapia com CAR-T é utilizada no tratamento de leucemias agudas e linfomas derivados de células B, mas não tem sido bem-sucedida em tumores sólidos, que corresponde à maioria dos cânceres. O tratamento está disponível apenas em alguns países, como Estados Unidos e Japão, onde o custo pode variar de US$ 300 mil a US$ 500 mil apenas para o preparo das células transgênicas.

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O que há de novo

O diferencial da novidade apresentada pelo estudo da Universidade de Cardiff diz respeito à variedade de cânceres que podem ser tratados em laboratório. No tratamento CAR-T, os linfócitos modificados identificam as proteínas anormais ligadas a antígenos leucocitários humanos (HLA) – que variam de uma pessoa para outra – presentes nos tumores cancerígenos.

Já na pesquisa publicada em janeiro os pesquisadores suspeitam que o receptor seja capaz de identificar as mudanças metabólicas celulares provocadas pela molécula MR1, que não varia de uma pessoa para outra e está presente na superfície de todas as células do corpo humano. Inclusive as cancerígenas.

É exatamente essa característica que tornaria possível fazer com que, em testes com ratos, o receptor identifique e elimine células cancerígenas em pulmões, pele, sangue, cólon, mamas, ossos, próstata, ovários, rins e cérvix.

Segundo Bonamino, do Inca, a descoberta pode significar a chance de gerar células contra diversos tumores a partir de um doador único. Ou seja, poderiam ser infundidas em vários pacientes, caracterizando um verdadeiro biofármaco universal.

“Deve-se confirmar antes, no entanto, que estas células são realmente capazes de eliminar tumores em humanos e que não são tóxicas para tecidos não tumorais.” Bonamigo, que também é pesquisador da Fundação Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz), acredita que a nova terapia possa custar em torno de US$ 300 mil quando chegar ao Brasil.

Entretanto, a partir de abordagens realizadas por instituições como o Inca, o custo poderia ser reduzido vertiginosamente, chegando a custar dez vezes menos. “Isso representaria um grande passo para que mais pacientes, sobretudo no SUS, tenham acesso a esse tipo de tratamento.”

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