Mitos e verdades da dieta detox

Atualização Profissional

Por Redação Secad   | 

O paciente entra no consultório com tontura. Relata fadiga, excesso de sono e confusão mental. Ele conta também que, algumas semanas atrás descobriu uma nova dieta pela internet e, mesmo depois de sentir mal-estar, continuou tentando emagrecer. É muito provável que você já tenha passado por essa experiência no consultório.

O poder de sedução das dietas que prometem resultados práticos em um curto espaço de tempo atrai muitos pacientes – assim como procedimentos radicais relatados em reportagem do El País. Com as famosas dietas detox não costuma ser diferente.

Na prática, dietas restritivas devem ser encaradas sempre com cautela. Em geral, todos os alimentos são importantes e cumprem alguma função no organismo. E, como se sabe, proibir não é a melhor orientação. Para perder de peso, o que deve ser reavaliado são as quantidades e a frequência do consumo – e não necessariamente o que se consome. O mesmo deve acontecer com a ingestão de ultraprocessados, ricos em sódio e aditivos químicos.

A dieta detox chegou como mais uma daquelas febres de academias, revistas e internet. Ganhou fama por prometer eliminar toxinas – e de quebra, alguns quilos extras. Ainda que seja uma relativa novidade, os estudos sobre desintoxicação existem há muito tempo. E o que eles já conseguiram observar não é bem aquilo que a detox prega.

De tempos em tempos, a indústria lança algum produto revolucionário. Em especial, aqueles voltados à perda de peso e prevenção do envelhecimento. Nesse momento, além de atuar como orientador nutricional, o profissional de nutrição precisa se apresentar como um guia – é ele quem fará com que o paciente não acredite em tudo que se diz por aí.

Abordagem explicativa combate maus hábitos

O próprio termo “detox” sofreu alterações. No universo comercial, por exemplo, a palavra “toxina” ganhou um conceito vago, que engloba produtos químicos sintéticos, metais pesados, alimentos processados, entre outros. Na medicina convencional, toxinas se referem às drogas e ao álcool. Detox seria, nesse caso, o processo de desintoxicação destas substâncias nocivas e viciantes.

Orientar corretamente sempre será a maneira mais efetiva de convencer o paciente dos prejuízos que restrições alimentares podem causar. O emprego da detox é comumente utilizado em curto prazo, por meio de jejuns totais ou parciais com suco. Muitas vezes, envolvem uso de laxantes, diuréticos, enemas, vitaminas e minerais que teriam capacidade de “limpar” o organismo.

Entretanto, o levantamento sobre os reais benefícios de uma desintoxicação exige o crivo da ciência. Isso passa por uma série de estudos clínicos que considerem amostras significativas, métodos bem desenhados e análises robustas – tudo para garantir respostas bem embasadas. Sem o rigor da análise científica, muitas dessas receitas popularizaram-se entre pacientes que desconhecem o valor nutricional de cada alimento; e a consequente falta que cada item pode causar ao organismo.

A perda de peso com produtos de desintoxicação não é sustentada por evidência clínica. O que os estudos garantem até agora é: a restrição energética modifica a expressão de neuropeptídios no hipotálamo. Pesquisas realizadas em ratos demonstraram que o estresse da restrição energética pode produzir, em longo prazo, algumas mudanças no sistema nervoso, levando à compulsão alimentar. Embora esse efeito ainda não seja bem estabelecido, não é infundado presumir que o mesmo ocorra em humanos. Prova disso é o efeito platô.

Existem evidências de que o estresse estimula o apetite e promove o ganho de peso por meio de elevações do cortisol. Optar por longos períodos de jejum é também uma experiência estressante. Por isso, é incerto afirmar que as dietas detox de restrição calórica possam ser efetivas para a manutenção do peso em longo prazo – ainda que, em um primeiro momento, possam reduzir medidas.

Papel da nutrição na eliminação de toxinas

Nenhuma pesquisa comprova que dietas detox eliminam substâncias tóxicas. Mas estudos preliminares sugerem que alguns de seus componentes nutricionais possuem propriedades desintoxicantes. Com foco nas versões orgânicas, alimentos como castanhas e amêndoas, além de frutas, legumes e verduras; e líquidos como chás e água de coco auxiliam o organismo em seu processo natural de limpeza natural.

Essa ideia vai contra a promessa de que shakes, chás e cápsulas digestivas – altamente difundidas em países como Estados Unidos – poderiam acelerar o processo. Além do mais, períodos de jejum líquido extremo podem causar deficiências de proteína e vitaminas, desequilíbrio eletrolítico, acidose láctica e até quadros mais graves. No dia a dia, o equilíbrio ainda é a escolha mais segura e natural.

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