Mindfulness: os benefícios da atenção plena à terapia

Atualização Profissional

Por Redação Secad   | 

Cada vez mais popular, o mindfulness ganha espaço entre aqueles que jamais pensaram praticar algo semelhante à meditação. Grandes organizações que o digam. Google, Yahoo, The Huffington Post e Nike são apenas algumas que já implementaram programas de mindfulness para seus funcionários. Também conhecida como “atenção plena”, a prática reúne uma série de técnicas de relaxamento que se apartou da religião e invadiu a psicologia.

Agora, embasada em pesquisas científicas espalhadas mundo afora, o mindfulness é apontado como ferramenta para redução de dores crônicas, da pressão arterial e da depressão, aumento da capacidade de concentração, controle de ansiedade e até melhora na qualidade do sono.

A eficácia é comprovada: em 2005, um estudo liderado pela pesquisadora Sara Lazar demonstrou que a prática de mindfulness é efetiva para reduzir o estresse. Através de imagens do cérebro de praticantes e de não praticantes foi possível observar que o córtex pré-frontal daqueles que realizaram mindulness por oito semanas apresentava mais massa cinzenta – o que indica maior capacidade de memória, de planejamento e de concentração.

Claro, oito semanas não são suficientes para alterar quadros complexos de depressão ou bipolaridade. Mas combinado à terapia cognitiva comportamental (TCC), a atenção plena pode intensificar os resultados. “O que faz diferença é uma prática consolidada, que leva anos e disciplina para se firmar”, afirma a bióloga Elisa Kozasa, pesquisadora que analisa os efeitos da meditação no Instituto do Cérebro do Hospital Albert Einstein, em entrevista à revista Superinteressante.

Em 2010, a equipe de Lozasa iniciou um estudo cujo resultado foi a percepção de que o mindfulness é capaz de reduzir o tamanho da amígdala – parte do cérebro responsável pelas reações (automáticas e instintivas) de sobrevivência. Com a diminuição dessa área, indivíduos que experimentavam fortes crises de ansiedade ou síndrome do pânico tiveram redução dos impulsos à reação de luta ou fuga – bastante comuns nesses casos.

Conheça a atualização em Terapia Cognitivo-Comportamental da Federação Brasileira de Terapias Cognitivas (FBTC)

Assim como a atenção plena, a TCC parte do princípio de que a redução do sofrimento pode acontecer por meio da reinterpretação dos sintomas experienciados. Tanto no espaço da terapia quanto nos momentos de prática, a pessoa enxerga a si própria. E, de maneira consciente, toma uma atitude positiva: buscar a origem do desconforto para transformar, sempre que possível, ou aceitar a realidade.

Tanto o mindfulness quanto a TCC revelam que sensações e pensamentos vêm e vão naturalmente – sem que tenhamos de dispensar energia com esses movimentos. Tal compreensão por si só já é significativa, pois reduz o desgaste mental.

Mindfulness na prática

É preciso atenção para não confundir meditação (culturalmente vinculada à religião), com mindfulness de base científica. Enquanto a primeira procura transcendência espiritual, a atenção plena é focada no presente, a fim de resolver (ou aplacar) conflitos.

Desde a prática formal (silenciosa, em que a pessoa fica deitada ou sentada em posição de lótus) até a maneira mais informal (praticada no almoço ou durante uma caminhada), o treino ganha técnica e agilidade com o passar do tempo.

Se no início são recomendados não mais que 10 minutos, o indivíduo mais experiente pode praticar durante o tempo de um jogo de futebol: 45 minutos. Atento ao que acontece “aqui e agora”, o praticante desenvolve a capacidade vivenciar o momento, sem a premissa de rejeitá-lo ou mesmo julgá-lo. Assim, o paciente se beneficia com os resultados obtidos através da atenção plena, enquanto a terapia atinge seus objetivos de forma gradual.

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